quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pontuações em cima de um vídeo moderno e contemporâneo.

 35, argentina, solteira, judia. Nenhuma dessas palavras ela inventou.
um mundo bom, com apenas quatro caminhos que se misturam



  • Múltiplos lugares me disseram que o vídeo foi "viral". O que é viral? Talvez a própria definição de "múltiplos lúgares" seja a culpada disto tudo. Por "múltiplos lugares", me refiro a facebook, página do N.Y. times, blog de cultura. Vê-se: quanta pluridade. Mais ou menos igual a "este lado" e "aquele lado" da piscininha.
  • Claro, talvez haja muito no fato de filmar os namoros e guardar as fitas mesmo após os términos. Mas por outro lado talvez não haja nada de errado em filmar a vida por si, usar como forma de expressão pessoal. Se não era pra filmar a própria vida, do que é que ela iria falar, então? Das conquistas do Partido? 
  • Bom lembrar que isto é só um filme: a protagonista filma muitas coisas, inclusive a própria vida. O apartamento de tumblr não veio do nada: ela trabalha como assistente de direção, ela passa o dia filmando outras coisas.
  • O que me leva ao ponto: o resto da vida dela não aparece porque não cabe na narrativa. O vídeo todo é um exercício de identidade. Tudo serve a um propósito, o de ilustrar o que ela é, ou quer ser, e nunca o que ela fez ou não.
  • A matéria original que acompanha o vídeo fala sobre a solidão contemporânea. Mas a solidão não é um fenômeno contemporâneo: talvez muito mais a forma com que lidamos (ou não lidamos) com ela é que caracteriza os nossos tempos do que a solidão em si.
  • A solidão é talvez evidenciada, percebida. É uma questão mais de percepção do que de objeto. Temos muitas maneiras de se expressar ao nosso alcance — e talvez achemos que não deveríamos estar sós.
  • Se isso também lhe exime de ir ao casamento das amigas, bom pra você. Mas ainda assim, a conta não fecha. Aliás, muito estranha, uma vida — fora dos vídeos — que fechasse 100%.

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