
o problema não é entender o mundo, o problema é lembrar depois.
Aqui vai uma dica de como mudar. Não se preocupe, você vai lê-la e não vai mudar apenas por ter lido.
A dica é essa: mudança nenhuma pode ser escrita. Porque simplesmente não.
Tudo o que podemos fazer é falar após a mudança. Ou antes dela. Ou, quem sabe, ao mesmo tempo em que mudamos. Mas não devemos confundir as palavras pela mudança em si.
Tudo o que podemos fazer é falar após a mudança. Ou antes dela. Ou, quem sabe, ao mesmo tempo em que mudamos. Mas não devemos confundir as palavras pela mudança em si.
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Para ilustrar, imaginemos um homem hipotético que emagreceu 28 quilos e uma mulher imaginária que começou a se arrumar e a dizer "sim, eu quero, eu faço questão disso". Eles dois, merecidamente, têm todo o louvor pelo que fazem e fizeram. Eles talvez podem até ter seguido "Os Passos Para O Sucesso" da moda, lido as colunas da terapeuta do amor da estação, mas, devo colocar a pergunta: onde, exatamente, aconteceu a mudança? O que pode lhes diferenciar do monte de outras pessoas que são viciadas em consumir autoajuda, indicações, orientações, exercícios, visualizações?
Ora, vejamos: muitos desses produtos não fazem as pessoas mudarem. Minha dica, por exemplo não vai fazer você mudar e você já sabia disso antes de lê-la. Alguns manuais, um pouco mais atentos, já explicitam diretamente que não depende deles. Alguns até te falam o porquê de você não mudar, de forma bem explicadinha (e espirituosa), e você concorda, bestamente, "é verdade, eu não mudo", e aí acha muito inteligente o autor, ele realmente fala de forma sensacional, gostei muito, vou comprar os outros livros dele.
Mas, mas... é por isso que você não muda! Porque você concorda! Ninguém te obrigou a ler o livro, você que foi lá com uma pergunta implícita na cabeça e teve a resposta que pediu. Saiu satisfeito como sairia de um fast-food mental: pediu um número 5: "Eu quero mudar" e saiu com uma lista de outras frases lindinhas.
Muito legal, bacana, maravilha; o problema é que isso é absolutamente inócuo.
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Sabe qual a grande maneira mais certa, garantida, de passar num vestibular ou concurso, maneira essa testada e aprovada por todos os candidatos de sucesso?
É, isso mesmo, você acertou, é indo lá e fazendo a prova. É a melhor maneira, até hoje, ainda não surgiu uma que superasse. William Douglas pode atestar o que eu digo.
Não adianta dizer que vai estudar. Não adianta ver as dicas para passar em concurso - todas as dicas que dão certo contêm em algum lugar delas o seguinte predicamento: "vá lá e faça". Misteriosamente, você já sabe disso e talvez você ignore. Deve haver alguma outra maneira.
Do mesmo jeito sãosomos elasnós, as pessoas que querem mudar: elas dizemos "eu quero mudar pra melhor". Mas aí que está a tragédia: elasnós não podemos querer mudar. É um pedido vazio, ilusório. Ao invés de querer mudar, a única coisa que elas fazemos concretamente é querermos ser uma pessoa que muda. Estãomos fazendo isso tanto que não se nos damos conta de que o quanto não queremos é mudança, mas validação da mudança.
Que é justamente o que nós não temos assim, facilmente, nos dias de hoje.
Talvez nós olhamos muito mais para o que é que nós queremos mudar e esquecemos (ou nem queremos ver) em nós o que é que não muda, o que se repete.
Tente lembrar disso, se for capaz.
Que é justamente o que nós não temos assim, facilmente, nos dias de hoje.
Talvez nós olhamos muito mais para o que é que nós queremos mudar e esquecemos (ou nem queremos ver) em nós o que é que não muda, o que se repete.
Tente lembrar disso, se for capaz.
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