quinta-feira, 19 de julho de 2012

Doze dicas para não mudar a sua vida.


 o problema não é entender o mundo, o problema é lembrar depois.


Aqui vai uma dica de como mudar. Não se preocupe, você vai lê-la e não vai mudar apenas por ter lido.

A dica é essa: mudança nenhuma pode ser escrita. Porque simplesmente não.
Tudo o que podemos fazer é falar após a mudança. Ou antes dela. Ou, quem sabe, ao mesmo tempo em que mudamos. Mas não devemos confundir as palavras pela mudança em si. 


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Para ilustrar, imaginemos um homem hipotético que emagreceu 28 quilos e uma mulher imaginária que começou a se arrumar e a dizer "sim, eu quero, eu faço questão disso". Eles dois, merecidamente, têm todo o louvor pelo que fazem e fizeram. Eles talvez podem até ter seguido "Os Passos Para O Sucesso" da moda, lido as colunas da terapeuta do amor da estação, mas, devo colocar a pergunta: onde, exatamente, aconteceu a mudança? O que pode lhes diferenciar do monte de outras pessoas que são viciadas em consumir autoajuda, indicações, orientações, exercícios, visualizações?

Ora, vejamos: muitos desses produtos não fazem as pessoas mudarem. Minha dica, por exemplo não vai fazer você mudar e você já sabia disso antes de lê-la. Alguns manuais, um pouco mais atentos, já explicitam diretamente que não depende deles. Alguns até te falam o porquê de você não mudar, de forma bem explicadinha (e espirituosa), e você concorda, bestamente, "é verdade, eu não mudo", e aí acha muito inteligente o autor, ele realmente fala de forma sensacional, gostei muito, vou comprar os outros livros dele.

Mas, mas... é por isso que você não muda! Porque você concorda! Ninguém te obrigou a ler o livro, você que foi lá com uma pergunta implícita na cabeça e teve a resposta que pediu. Saiu satisfeito como sairia de um fast-food mental: pediu um número 5: "Eu quero mudar" e saiu com uma lista de outras frases lindinhas.

Muito legal, bacana, maravilha; o problema é que isso é absolutamente inócuo.


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Sabe qual a grande maneira mais certa, garantida, de passar num vestibular ou concurso, maneira essa testada e aprovada por todos os candidatos de sucesso?
É, isso mesmo, você acertou, é indo lá e fazendo a prova. É a melhor maneira, até hoje, ainda não surgiu uma que superasse. William Douglas pode atestar o que eu digo.

Não adianta dizer que vai estudar. Não adianta ver as dicas para passar em concurso - todas as dicas que dão certo contêm em algum lugar delas o seguinte predicamento: "vá lá e faça". Misteriosamente, você já sabe disso e talvez você ignore. Deve haver alguma outra maneira.

Do mesmo jeito sãosomos elasnós, as pessoas que querem mudar: elas dizemos "eu quero mudar pra melhor". Mas aí que está a tragédia: elasnós não podemos querer mudar. É um pedido vazio, ilusório.  Ao invés de querer mudar, a única coisa que elas fazemos concretamente é querermos ser uma pessoa que muda. Estãomos fazendo isso tanto que não se nos damos conta de que o quanto não queremos é mudança, mas validação da mudança.

Que é justamente o que nós não temos assim, facilmente, nos dias de hoje.

Talvez nós olhamos muito mais para o que é que nós queremos mudar e esquecemos (ou nem queremos ver) em nós o que é que não muda, o que se repete.

Tente lembrar disso, se for capaz.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Aquilo que não ______.

talvez não haja nada realmente errado com o chão que você pisa.
 

Não há fotos sorridentes em alguns lugares da própria vida. Pode-se imaginar que o que existe nas redes sociais são as fachadas, varandas, marquises, os espaços grandes, iluminados, confortáveis, cheios de imagens publicitárias, sorrisos, lustres, copos, flashes, dourados, esperanças de lutas e bons augúrios.

E há os outros lugares além destes: as cozinhas, os vestiários, os becos, as ruelas, os sótãos, os porões. Os espelhos. Alguma calçada escura, iluminada por um poste. Os arrependimentos. Um momento na sua infância que não deve ser compartilhado, senão vira pó. Uma pilha de curriculum vitae com as coisas que você tentou e falhou. Algo, ou alguém, ainda lá.

Ninguém vê você indo até estes lugares, saindo às escondidas no final da festa.

Por  trás de alguma parede falsa naquela sala de jantar cheia há uma escada que desce para o fundo. Nós o convidamos para descer lá embaixo, ou então sair de lá.