quinta-feira, 25 de abril de 2013

Aeroaracnocinofobia.

um dos modos mais usados de se falar sobre o horror: piada.


Uma das coisas interessantes acerca dos nossos medos é que, assim como nossos desejos, eles são únicos, incombináveis.  Todos os medos combináveis são outra coisa.

Quer saber? Já usei esse exemplo em outra ocasião: é muito comum o horror frente a um monstro e frente a um espírito, um fantasma. Não é muito comum o horror frente ao espírito de um monstro.

Uma mantícora, uma criatura mitológica, compreende de um corpo de leão com uma cabeça de homem: ela sintetiza o que há de misterioso e inacessível dentro de um homem e dentro de um leão. Por esta razão, a mantícora é uma aberração, e nem mesmo os que lhe poderiam ser simpáticos não o são por reconhecimento de uma igualdade. A figura da mantícora inspira estranhamento, mas não porque ela é uma mantícora. Não há uma humanidade na mantícora - ao mesmo tempo, há alguma humanidade na mantícora.

Os teóricos da psicologia profunda, que estudam o inconsciente, o desconhecido na constituição de nossa psique, atestam, seguindo vertentes diferentes, a importância das reações de medo e horror como expressão desse "algo" que nos bate à porta. Ao se falar do aspecto projetivo na constituição do sujeito segundo Jung, poderia se pensar: se este "algo" terrível com o qual me deparo não sou eu (pois eu não sou terrível, não me acredito terrível), o que é esse algo?
E mais importante: por que ele parece vir até mim?

terça-feira, 9 de abril de 2013

"O problema é que ele sou eu".

Se você só atrai vampiro e lobisomem, o problema não é que o mundo é habitado por criaturas fantásticas, o problema é você.

ou:

Nem todas as mulheres são loucas: existem também as não-loucas. Nenhuma delas lhe interessou.

dá no mesmo. escolha o seu destino.

* * *

É o mesmo funcionamento com duas particularidades: se você não pensa no outro como uma pessoa com identidade própria, separada dos seus anseios/medos/desejos, decorre que você vai achar o outro terrível por que ele fez alguma coisa com você que não podia. Mas, antes de tudo, antes de ele fazer (ou poder fazer), era preciso que você estivesse lá.

"O problema é que ele sou eu". Você nunca poderia ter dito isto. Nunca é fácil assim.

A pergunta que importa, que vai além desse relacionamento e de todos os outros não é por que vocês estão brigando, mas o que aconteceu para que vocês dois estivessem juntos até agora, até brigarem.
Não é como está agora, mas como se construiu, como permanece.

Dizer nada não vale.