não apenas arte.
É, no mínimo, curioso que digam que esse novo filme do Super-Homem tenha uma "pegada realista". Quer dizer, o rapaz veio do Planeta Krypton, voa, é mais rápido que uma bala, mais forte que uma locomotiva, tem visão de raio-X... completamente realista. Oh, e ele é órfão de pai e mãe. Criado por pais terráqueos adotivos, que lhe deram forte educação moral e o ensinaram a respeitar e valorizar o nosso mundo. Viu? Ele tem uma humanidade.
É a grande premissa do Super-Homem: a humanidade que ele adquiriu não divide bem espaço com os seus superpoderes com os quais ele nasceu. Logo, o Super-Homem não pode assumir nenhum dos dois lugares por inteiro, o de kryptoniano e o de terráqueo.
Mas a pergunta que ninguém faz, exceto os vilões, é: porque ele iria querer isso? Ser um homem comum? O que faz valer ele abdicar dos seus poderes para se encaixar no mundo?
Seja o que você for responder, não responda. Você não sabe o que é. Está fora de sua alçada. Você não consegue amassar um pedaço de carvão com as mãos e transformá-lo em diamante. Nem tente.
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Por outro lado, o que é que há do Super-Homem para nós? Qual é o fascínio que ele exerce?
Podemos olhar o nosso Super-Homem dos nossos tempos como um espelho de nós mesmos. O herói tradicional redime o seu povo através dos grandes atos; tudo o que o herói de hoje parece querer redimir é a si mesmo, através dos pequenos atos. Enquanto o Super-Homem mais antigo tentava levar uma vida dupla de jornalista e super-herói, o nosso Super-Homem vai se refugiar num barco pesqueiro.
Toda essa grande ênfase do Super-Homem moderno com relação ao seu convívio com o mundo é o que nos é posto em primeiro plano. Isso tudo é muito necessário, mas é importante lembrar que estamos falando de super heróis, há uma outra questão que não pode ser minimizada: a de que o fato de que num mundo em que é possível existir um Super-Homem possam existir também coisas muito mais fortes que um Super-Homem.
